
A presença de um casal de curiquinhas-verdes em uma palmeira de buriti mudou temporariamente o andamento das obras de pavimentação da Avenida Siqueira Campos II, na Vila Santiago, em Araguaína. Mesmo com a árvore já morta, a Prefeitura decidiu mantê-la no local até que as aves concluam o período de reprodução.
A palmeira está localizada justamente na área onde será construída uma rotatória. Depois que o casal deixar o ninho, a proposta é transformar o espaço em um pequeno bosque com espécies nativas, seguindo o modelo do Pé-de-Pequi, no setor Ana Maria.
O buriti já havia sido incluído entre as árvores que deveriam ser preservadas durante a execução da obra. A planta, no entanto, morreu ao longo dos procedimentos. Quando a equipe técnica se preparava para retirá-la, uma vistoria identificou que o tronco oco havia se tornado abrigo para um casal de curiquinhas-verdes, que utilizava o local para a reprodução.
A situação foi acompanhada pelo prefeito Wagner Rodrigues durante uma visita ao canteiro de obras. Segundo ele, a decisão de manter a árvore foi tomada para não interferir no desenvolvimento dos filhotes.
“Quem acompanha nosso trabalho sabe que eu gosto de estar nas obras, olhar de perto e acompanhar cada detalhe. E foi numa dessas vistorias que encontrei uma situação que merece a nossa atenção. O buriti estava no caminho da obra e, mesmo morto, virou lar de um casal de curiquinhas-verdes. E aí não tem dúvida: a obra pode esperar, os filhotes não. Vamos deixar essa palmeira aqui até que eles se reproduzam e os filhotes ganhem o mundo”, afirmou.
Os trabalhos de pavimentação poderão continuar nas áreas próximas, mas a intervenção específica na região da futura rotatória ficará para depois. A retomada ocorrerá somente quando os filhotes deixarem o ninho com segurança e o ciclo reprodutivo for concluído.
Como parte da compensação ambiental, o município também prevê o plantio de mudas de bananinha, pau-preto, imbaúba, buriti, cega-machado e acapurana. A intenção é criar uma área arborizada com espécies nativas, favorecendo a fauna e atraindo outras espécies de aves.
Área integra futuro Parque Nascentes do Neblina
O local onde está o ninho também fará parte do projeto do Parque Nascentes do Neblina, uma futura Unidade de Conservação com aproximadamente 300 mil metros quadrados. O espaço terá entre os objetivos a proteção e recuperação de nascentes, recursos hídricos, solo, corpos d’água e áreas de preservação permanente.
O parque será organizado em três módulos cercados, com a rotatória prevista para ficar entre dois deles.
De acordo com a Prefeitura, a licitação para implantação do parque já foi homologada e aguarda uma avaliação do Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF) para que o projeto avance para a fase de execução.
A construção do parque faz parte do Projeto de Saneamento Integrado Águas de Araguaína, que reúne ações de pavimentação, drenagem, urbanização e recuperação ambiental.
O programa tem investimento superior a R$ 364 milhões. Desse montante, aproximadamente R$ 289 milhões são provenientes de financiamento junto à CAF e cerca de R$ 69 milhões correspondem à contrapartida do município.
Ao todo, estão previstas 20 obras no programa. Segundo a Prefeitura, 14 já foram concluídas, incluindo a primeira etapa da Via Norte e da Avenida Siqueira Campos, a extensão da Avenida Campos Elísios e obras de pavimentação e drenagem em diferentes setores da cidade.
Também estão entre as intervenções concluídas ações nos setores Ana Maria, Morada do Sol 3, Jardim Vitória, Xixebal, Itaipu, Maracanã, Alasca, Jardim América, Itatiaia e 1º de Janeiro, além da implantação da bacia de detenção do Córrego Canindé.
Para 2026, a previsão é concluir outras quatro intervenções: o Parque Raizal, as obras de pavimentação e drenagem do Setor Urbanístico, as bacias de detenção do Córrego Neblina e a segunda etapa da Avenida Siqueira Campos. As demais obras do programa têm previsão de conclusão em 2027.