Doenças crônicas causam 1.711 mortes

As doenças crônicas não transmissíveis já causaram 1.711 mortes no Tocantins nos cinco primeiros meses de 2026. O levantamento, feito pelo Ministério da Saúde, reúne óbitos provocados por doenças cardiovasculares, câncer, diabetes e enfermidades respiratórias crônicas.

Entre os quatro grupos analisados, as doenças cardiovasculares aparecem como a principal causa de morte no Estado, com 895 registros. Na sequência estão os cânceres, responsáveis por 529 óbitos, o diabetes mellitus, com 166, e as doenças respiratórias crônicas, que somaram 121 mortes.

Os dados são divulgados próximo ao Dia Mundial da Segurança do Paciente, lembrado em 17 de setembro. Neste ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) colocou no centro da campanha a segurança dos cuidados destinados a pessoas com doenças não transmissíveis. O tema é “Cuidados seguros para doenças não transmissíveis”, acompanhado do lema “Safe care for life!”, ou “Cuidados seguros para a vida toda”.

A campanha busca ampliar a discussão sobre a segurança em todas as fases do atendimento, desde a prevenção e a descoberta da doença até o tratamento, o acompanhamento médico prolongado e os cuidados realizados pelo próprio paciente.

Tocantins registra 1.711 mortes

De acordo com o Painel de Monitoramento da Mortalidade por CID-10, baseado no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), o Brasil contabilizou, até maio de 2026, 124.942 mortes por doenças cardiovasculares.

No mesmo período, foram registrados 93.889 óbitos por neoplasias, 22.163 relacionados ao diabetes mellitus e 16.832 provocados por doenças respiratórias crônicas.

No Tocantins, a soma dos quatro grupos chegou a 1.711 mortes:

  • 895 por doenças cardiovasculares;
  • 529 por neoplasias;
  • 166 por diabetes mellitus;
  • 121 por doenças respiratórias crônicas.

Para especialistas, os números reforçam a necessidade de investir em prevenção, diagnóstico precoce e acompanhamento regular. Para quem já recebeu o diagnóstico, manter o tratamento e realizar o acompanhamento indicado também é essencial para evitar agravamentos.

O médico clínico geral Maurício Perroud, integrante da Organização Nacional de Acreditação (ONA), destaca que os cuidados devem começar antes mesmo de a doença ser identificada e continuar durante toda a vida.

Segundo ele, identificar fatores de risco, fazer avaliações periódicas e detectar alterações precocemente permite iniciar medidas de controle antes que surjam complicações. Para quem já possui uma doença crônica, a continuidade do tratamento também contribui para manter a qualidade de vida.

Doenças crônicas têm grande impacto na mortalidade

As doenças não transmissíveis representam uma das principais causas de morte em todo o mundo. Conforme os dados mais recentes consolidados pela OMS, mais de 43 milhões de pessoas morreram em decorrência dessas enfermidades em 2021, correspondendo a cerca de 75% das mortes não relacionadas à pandemia naquele período.

Quatro grupos concentram a maior parcela desses óbitos: doenças cardiovasculares, cânceres, doenças respiratórias crônicas e diabetes.

As doenças cardiovasculares foram responsáveis por mais de 19 milhões de mortes, enquanto os cânceres provocaram cerca de 10 milhões. As doenças respiratórias crônicas responderam por aproximadamente 4 milhões de mortes e o diabetes por mais de 2 milhões, incluindo casos relacionados a doenças renais provocadas pela própria condição.

A mortalidade entre pessoas mais jovens também preocupa. Em 2021, cerca de 18 milhões de pessoas morreram antes dos 70 anos em consequência de doenças não transmissíveis. A maior parte desses óbitos, 82%, ocorreu em países de baixa e média renda.

Cuidados prolongados exigem atenção

Para quem convive com uma doença crônica, o tratamento pode se estender por muitos anos. Isso significa consultas frequentes, uso contínuo de medicamentos e, em muitos casos, atendimento com diferentes profissionais e serviços de saúde.

Esse acompanhamento prolongado também exige atenção à segurança do paciente. Falhas na comunicação entre equipes, problemas relacionados ao uso de medicamentos, atrasos na identificação de alterações e dificuldades na continuidade do tratamento podem aumentar os riscos.

A OMS estima que aproximadamente um em cada dez pacientes sofra algum tipo de dano durante o atendimento de saúde. Pelo menos metade desses episódios poderia ser evitada. Na assistência a pacientes com câncer, a estimativa é de que até um em cada três possa sofrer algum evento adverso durante o tratamento.

Para Gilvane Lolato, gerente-geral de Operações da ONA, a segurança precisa estar presente durante todo o processo de cuidado, especialmente quando o paciente passa anos em acompanhamento.

Ela destaca a importância da comunicação entre profissionais, do uso seguro dos medicamentos, da continuidade da assistência e da integração entre os diferentes serviços envolvidos no tratamento.

Hábitos também ajudam na prevenção

Entre os fatores de risco que podem ser modificados estão o tabagismo, o sedentarismo, o consumo excessivo de álcool, a alimentação inadequada e a exposição à poluição do ar.

A OMS aponta que medidas de prevenção, diagnóstico precoce, tratamento adequado e acompanhamento contínuo podem ajudar a diminuir complicações e mortes relacionadas às doenças crônicas.

Na prática, isso inclui manter consultas e exames de rotina, controlar doenças já diagnosticadas, utilizar os medicamentos conforme orientação médica e procurar atendimento diante de sinais de alerta.

Outro ponto destacado pela campanha é a participação ativa do paciente. Conhecer a própria condição de saúde, entender a finalidade dos medicamentos e informar a equipe médica sobre mudanças ou novos sintomas são atitudes que podem contribuir para um tratamento mais seguro.

A orientação dos especialistas é que dúvidas sejam esclarecidas antes de iniciar, alterar ou interromper qualquer medicamento ou tratamento. Pequenas medidas de atenção ao longo do acompanhamento podem reduzir riscos e ajudar o paciente a participar de forma mais segura do próprio cuidado.