
A Polícia Civil do Tocantins, por meio da 1ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (1ª DEIC – Palmas), realizou na manhã desta sexta-feira, 24, a Operação Nêmesis. A iniciativa teve como finalidade cumprir quatro mandados de prisão preventiva, seis de busca e apreensão e três medidas de afastamento de funções públicas.
A operação é fruto de uma investigação que apura a atuação de um grupo criminoso armado, suspeito de realizar cobranças ilegais de dívidas por meio de práticas como usura, extorsão e associação criminosa. Segundo as apurações, um empresário de 45 anos e sua mãe, de 65, teriam sido alvo de ameaças constantes e intimidações relacionadas a empréstimos com juros elevados.
De acordo com o levantamento, o caso teve início em Guaraí, onde a vítima contraiu uma dívida com um dos investigados. Ao longo de mais de dois anos, foram aplicadas taxas mensais consideradas abusivas, chegando a cerca de R$ 4 mil, o que inviabilizou a quitação do débito.
Mesmo após vender o próprio comércio na cidade, a dívida não foi considerada encerrada. Já em Palmas, para onde o empresário se mudou e abriu um novo negócio, as cobranças teriam se intensificado. Em fevereiro de 2026, o estabelecimento foi invadido por suspeitos que exigiram o pagamento mediante ameaças.
Entre os investigados estão três servidores públicos, sendo um contratado e dois efetivos. Durante uma das ações, a mãe do empresário foi intimidada com a exibição de arma de fogo e ameaças diretas.
As investigações também indicam que os suspeitos teriam utilizado suas funções públicas como forma de pressão. Um deles, inclusive, teria simulado o registro de ocorrência policial para forçar o pagamento da dívida. O grupo, conforme apontado, atuava de maneira organizada, com divisão de funções entre liderança, logística e execução das cobranças.
Com base nas provas reunidas, como vídeos e mensagens, a Justiça determinou a prisão preventiva dos envolvidos, considerando riscos à ordem pública e ao andamento do processo.
Além das prisões, foram cumpridos mandados de busca em diversos endereços ligados aos suspeitos, incluindo locais relacionados ao serviço público. Três investigados também foram afastados de suas funções por 60 dias, como medida preventiva.
A operação contou com apoio de unidades especializadas, como a Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACCO), a Divisão Especializada de Repressão a Narcóticos (DENARC), a 6ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (6ª DEIC), a Divisão Especializada de Repressão a Crimes Contra a Ordem Tributária (DRCOT) e o Grupo de Operações Táticas Especiais (GOTE).
Segundo o delegado responsável, Wanderson Chaves de Queiroz, as investigações evidenciaram a atuação estruturada do grupo, que utilizava ameaças, intimidação e até cargos públicos para obter vantagens ilegais. Ele destacou ainda que a operação representa uma resposta firme contra esse tipo de prática criminosa.
As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos no esquema.