Operação “El Dourado”


Uma operação da Polícia Civil desarticulou, nesta terça-feira (24), uma organização criminosa especializada em fraudes bilionárias no agronegócio. O grupo simulava negociações de grãos para gerar créditos ilícitos de ICMS, resultando em uma sonegação fiscal estimada em R$ 55,9 milhões aos cofres públicos do Tocantins.

A organização utilizava uma estrutura sofisticada de “fachada” para dar aparência de legalidade a transações inexistentes. Uma das sedes funcionava em uma sala de apenas 24 m², equipada apenas com uma mesa e um notebook, sem qualquer estrutura para operar no setor agropecuário. Funcionárias eram contratadas apenas para manter os locais abertos. Elas instalavam softwares que permitiam aos líderes, baseados em Minas Gerais, operar os computadores à distância, simulando que as vendas ocorriam em solo tocantinense.

O grupo recrutava pessoas em situação de vulnerabilidade social para figurarem como sócias de empresas com capitais sociais fictícios de até R$ 10 milhões. Em apenas seis meses, uma única empresa do grupo declarou movimentação superior a R$ 464 milhões, mas recolheu meros R$ 39 mil em impostos.

A ofensiva policial ocorreu simultaneamente em Palmas (TO) e Unaí (MG). O líder do esquema (29 anos) foi preso em Unaí. Outras duas pessoas foram presas em flagrante por porte ilegal de arma. Um contador de 31 anos, apontado como o operador financeiro, possui mandado de prisão em aberto e não foi localizado.

Foram cumpridos 6 mandados de busca e apreensão, resultando no confisco de documentos e equipamentos eletrônicos. A Polícia Civil identificou que o controle central das operações ficava em Minas Gerais. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados, o que impossibilitou o contato com as defesas até o momento. A operação reforça o combate à criminalidade econômica que drena recursos destinados a serviços públicos no estado.

25 de Março, Quarta-Feira