Justiça mantém prisão de madrastra de Gustavo

A Justiça negou o pedido de liberdade e de prisão domiciliar apresentado pela defesa de Kathellen Moreira da Silva, madrasta do menino Gustavo Veloso Feitosa. Ela está presa preventivamente por suspeita de omissão nas agressões que teriam levado à morte da criança, de três anos, encontrada morta na casa do pai, em Palmas.

Gustavo foi encontrado morto no dia 3 de agosto. O pai, Igor Gustavo Veloso de Sousa, e Kathellen são investigados por homicídio duplamente qualificado e tortura. Segundo a investigação, a criança apresentava múltiplas lesões e sinais de violência.

Com a decisão, Kathellen continua presa na Unidade Prisional Feminina de Palmas. Igor também permanece detido na Casa de Prisão Provisória da capital. A decisão foi assinada pelo juiz Cledson José Dias Nunes, da 1ª Vara Criminal de Palmas.

A defesa de Kathellen pediu a revogação da prisão preventiva ou a conversão para prisão domiciliar. Entre os argumentos apresentados, está o fato de ela ser mãe de uma bebê de cinco meses, que ainda está em fase de amamentação e passa por investigação cardiológica. Os advogados também afirmaram que ela não possui antecedentes criminais e que não teria participado diretamente das agressões físicas contra Gustavo.

Ao analisar o pedido, o juiz entendeu que não havia elementos suficientes para substituir a prisão preventiva. A Justiça também avaliou a situação da bebê, que atualmente está sob os cuidados da avó materna e já recebia alimentação mista antes da prisão de Kathellen.

A Polícia Civil investiga ainda a possibilidade de o crime estar relacionado à chamada violência vicária, termo usado para situações em que uma pessoa próxima à mulher, como um filho, é vítima de violência com o objetivo de causar sofrimento ou atingir a mãe.

A investigação aponta que os pais de Gustavo tinham um histórico de conflitos e disputas judiciais envolvendo a guarda e a pensão da criança. A mãe também relatou ter recebido ameaças e apresentado registros de supostas agressões sofridas pelo menino depois das visitas à casa do pai.

Segundo a Polícia Civil, vídeos e fotografias entregues pela mãe mostram Gustavo com marcas de lesões em diferentes momentos. Os investigadores também analisam uma gravação na qual a criança aparece chorando e demonstrando resistência em ir para a casa do pai. De acordo com o depoimento da mãe, o menino demonstrava medo ao ouvir a voz de Igor e dizia que era agredido.

A morte inicialmente teria sido atribuída a um afogamento, mas essa versão foi descartada após os primeiros exames do Instituto Médico Legal. O diretor do IML afirmou que o nível de violência identificado no corpo da criança era incomum.

O caso continua sendo investigado pela Polícia Civil, que busca esclarecer a dinâmica das agressões e a participação de cada um dos investigados.

As defesas também se manifestaram. A defesa de Igor afirma que ele se apresentou voluntariamente à polícia e colaborou com o cumprimento da prisão, sem tentativa de fuga ou resistência. Já a defesa de Kathellen reforça que ela é mãe de uma bebê de cinco meses e informou que pretende buscar a substituição da prisão por medidas cautelares ou prisão domiciliar.