Dois jovens foram sentenciados pela morte do indígena Davi Dias Apinajé, crime registrado em setembro de 2023, no município de Tocantinópolis. Na ocasião, a vítima dormia em frente a um estabelecimento comercial quando foi agredida com socos e, em seguida, atingida na cabeça com um bloco de concreto. Os acusados receberam condenação por homicídio triplamente qualificado e cumprirão pena em regime fechado, ainda com possibilidade de recurso.
Os condenados são Thalisson da Silva Cardoso, de 20 anos, e Iago Silveira Pinheiro, de 25 anos. A defesa de Thalisson informou que analisa a sentença e estuda a apresentação de recurso com o objetivo de reduzir a pena. Já os advogados de Iago confirmaram que irão recorrer, por considerarem a decisão dos jurados injusta.
O julgamento foi conduzido pelo juiz Helder Carvalho Lisboa, da 1ª Vara Criminal de Tocantinópolis. Durante a sessão, o Conselho de Sentença reconheceu que o crime foi praticado por motivo torpe, com extrema crueldade e mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima.
Iago Silveira Pinheiro foi condenado a 19 anos e três meses de prisão, enquanto Thalisson da Silva Cardoso recebeu pena de 16 anos e seis meses. O magistrado também determinou o pagamento de indenização no valor de R$ 50 mil, a título de danos morais, aos filhos de Davi Dias Apinajé.
Conforme o Tribunal de Justiça, os dois réus estão presos desde 20 de setembro de 2023, e o período de prisão preventiva será abatido do total da pena.
O crime ocorreu na madrugada do dia 16 de setembro de 2023, na esquina da Rua da Estrela com a Avenida Nossa Senhora de Fátima. Davi Dias Apinajé estava deitado na calçada quando foi surpreendido pelos agressores. Ele foi espancado com socos e chutes e, posteriormente, atingido na cabeça com um bloco de concreto de aproximadamente 12 quilos.
Segundo as investigações, com base em depoimentos e imagens de câmeras de segurança, os dois jovens agrediram a vítima sem qualquer motivação, após terem ingerido bebida alcoólica.
Testemunhas relataram que Davi não residia mais na aldeia e passava grande parte do tempo nas ruas da cidade consumindo álcool. Um vigilante informou que, por volta das 3h20, viu o indígena dormindo em frente a uma loja e, nas proximidades, dois homens não indígenas. Minutos depois, ao retornar ao local, percebeu que a vítima já estava ferida, com uma pedra grande e manchada de sangue ao lado do corpo.
A perícia foi acionada e buscas foram realizadas pela polícia, mas, inicialmente, nenhum suspeito foi localizado.
Em nota, a defesa de Thalisson informou que já interpôs recurso de apelação para revisão da pena, destacando que o réu confessou o crime, se apresentou espontaneamente à polícia, demonstrou arrependimento e busca apenas a adequação da dosimetria da pena.
A defesa de Iago Silveira Pinheiro também anunciou que irá recorrer, alegando que a decisão dos jurados foi contrária às provas dos autos e que as qualificadoras aplicadas são excessivas, servindo apenas para aumentar a pena.
23 Janeiro – Sexta
