
A transformação estrutural do Jalapão entrou oficialmente na pauta do Governo do Tocantins. Em reunião com gestores estaduais, prefeitos, lideranças comunitárias e representantes do setor turístico, o foco foi a construção de um novo modelo de desenvolvimento para a região, diante da pavimentação de rodovias e da implantação de um aeroporto em São Félix do Tocantins.
O encontro foi articulado pela Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Tocantins, pela Secretaria do Turismo do Tocantins, pela Secretaria dos Povos Originários e Tradicionais do Tocantins e pelo Instituto Natureza do Tocantins. A proposta central foi discutir impactos econômicos, sociais e ambientais provocados pelo avanço da infraestrutura, considerado um divisor de águas para o território.
Com a chegada do asfalto e a consolidação do aeroporto, a região vive um novo momento. As obras ampliam o acesso, reduzem o isolamento histórico e devem impulsionar o fluxo turístico. Ao mesmo tempo, especialistas e gestores alertam para a necessidade de planejamento, a fim de evitar pressão desordenada sobre recursos naturais e comunidades tradicionais.
Como encaminhamento, foi criada uma comissão formada por representantes do poder público, comunidades locais e trade turístico. O grupo vai elaborar uma minuta de propostas voltadas ao desenvolvimento sustentável. O documento será apresentado e validado em seminário no próprio Jalapão, com participação ampliada da população.
O crescimento do turismo reforça o debate. Gerido pelo Naturatins, o Parque Estadual do Jalapão recebeu cerca de 50 mil visitantes no último ano, aumento de 16,63% em relação a 2024, quando foram contabilizados 43.131 turistas. Os números evidenciam a tendência de alta e ampliam a discussão sobre capacidade de carga, preservação ambiental e organização da atividade.
Durante a reunião, representantes do governo defenderam diálogo integrado entre Estado, municípios e comunidades. A avaliação é de que o momento exige planejamento coletivo para aproveitar oportunidades econômicas sem comprometer ativos ambientais.
Representantes de comunidades tradicionais destacaram a importância da participação ativa nas decisões. Gestores municipais também ressaltaram que a nova realidade amplia a responsabilidade diante da expectativa de aumento no número de visitantes.
A discussão marca o início de uma etapa estratégica para o Jalapão: estruturar um modelo capaz de equilibrar crescimento econômico, preservação ambiental e valorização cultural em um dos destinos naturais mais emblemáticos do Brasil.
7 de mar de 2026