
Uma conversa dentro de casa pode ser o ponto de partida para transformar a vida de quem espera por um transplante. No Brasil, a doação de órgãos e tecidos após a morte depende da autorização da família. Por isso, mais do que ter o desejo de ser doador, é importante comunicar essa decisão às pessoas mais próximas.
É justamente esse diálogo que a Fundação Pró-Rim quer estimular durante o Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a importância da doação de órgãos. Com a campanha “Um Sim pela Vida”, a instituição convida pacientes, familiares, colaboradores e toda a comunidade a falar sobre o tema de forma aberta, responsável e respeitosa.
A ideia é que a decisão não seja discutida somente em um momento de perda, quando os familiares estão emocionalmente abalados. Falar antecipadamente sobre a vontade de doar permite que todos conheçam a decisão e entendam sua importância. Dessa forma, em uma eventual situação de doação, a família estará mais preparada para tomar uma decisão de acordo com a vontade manifestada pelo possível doador.
A decisão começa dentro de casa
O principal objetivo da campanha é mostrar que a doação de órgãos começa muito antes de uma possível autorização. Ela começa com uma conversa.
Muitas pessoas ainda têm dúvidas sobre como funciona o processo, quais órgãos podem ser doados e quem pode autorizar a retirada. Por isso, levar informação para dentro das famílias também é uma forma de conscientização.
O Ministério da Saúde reforça que não é necessário registrar a vontade de ser doador em documentos, cartórios ou outros registros formais. O ponto principal é comunicar essa decisão aos familiares, já que são eles que terão a responsabilidade de autorizar a doação quando houver possibilidade.
Por isso, quem deseja ser doador pode começar com uma conversa simples. Contar aos pais, filhos, irmãos, companheiro ou outras pessoas próximas que existe essa vontade pode fazer diferença no momento em que uma decisão precisa ser tomada.
A campanha “Um Sim pela Vida” busca justamente tornar esse diálogo mais presente na rotina das famílias. A proposta é tratar a doação de órgãos não apenas como uma questão médica, mas também como um gesto de solidariedade que pode beneficiar pessoas que aguardam por uma nova oportunidade de vida.
Mais de 45 mil pessoas aguardam por um rim
A necessidade de ampliar a conscientização também pode ser observada nos números da fila de transplantes.
Dados do Painel do Sistema Nacional de Transplantes, do Ministério da Saúde, consultados em 27 de agosto de 2026, apontam que 49.519 pessoas aguardavam por um transplante de órgão no Brasil.
Desse total, 45.907 estavam na fila por um rim. O número representa a maior parte das pessoas que aguardavam por um transplante de órgão no país e mostra a dimensão da demanda por transplantes renais.
A espera está diretamente relacionada ao trabalho desenvolvido por instituições que atendem pacientes com doença renal crônica e acompanham pessoas que podem ter no transplante uma possibilidade de tratamento.
A Fundação Pró-Rim atua nessa área e, em parceria com o Hospital Municipal São José, em Joinville, já participou da realização de 2.147 transplantes renais.
Além dos transplantes, a instituição também realiza atendimento a pacientes que dependem de tratamento contínuo. Somente nos sete primeiros meses de 2026, foram registradas 73,2 mil sessões de hemodiálise.
A hemodiálise é um dos tratamentos utilizados por pessoas com doença renal e faz parte da rotina de muitos pacientes enquanto aguardam uma possibilidade de transplante.
Um doador pode beneficiar várias pessoas
A doação de órgãos pode ter impacto para diferentes pacientes. Segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, um único doador falecido pode salvar mais de oito vidas e ainda beneficiar outras pessoas por meio da doação de tecidos.
Entre os órgãos que podem ser doados estão coração, pulmões, fígado, rins e pâncreas. Também podem ser doados tecidos como córneas, pele, ossos e válvulas cardíacas.
Cada caso passa por avaliação médica e segue critérios específicos para determinar quais órgãos e tecidos podem ser aproveitados. Por isso, a possibilidade de doação é analisada pelas equipes responsáveis no momento adequado.
Mesmo diante de todas essas etapas, a manifestação da vontade do possível doador continua sendo fundamental. Como a autorização final depende da família, conversar sobre o assunto antecipadamente ajuda a tornar esse processo mais claro para todos.
Informação ajuda a tomar decisões
Para a diretora clínica da Fundação Pró-Rim, médica nefrologista Marina de Almeida Abritta Hanauer, o debate sobre doação de órgãos e transplante renal deve ser baseado em informação segura e no respeito aos critérios clínicos.
Segundo ela, o transplante renal pode representar uma possibilidade terapêutica para pacientes que atendam aos critérios médicos, mas cada situação precisa ser avaliada individualmente e acompanhada por profissionais especializados.
A informação também ajuda pacientes e familiares a compreenderem melhor as etapas do tratamento e do transplante, reduzindo dúvidas e permitindo que decisões sejam tomadas com mais segurança.
Para o presidente da Fundação Pró-Rim, Maycon Truppel Machado, a campanha pretende fazer com que o tema deixe de ser tratado apenas em situações de emergência e passe a fazer parte das conversas familiares.
A proposta é incentivar as pessoas a falarem sobre a própria vontade e a ouvirem também seus familiares. Dessa forma, o assunto pode ser discutido com tranquilidade, antes de qualquer situação que exija uma decisão.
Campanha ganha música e clipe
Para ampliar a mensagem do Setembro Verde, a Fundação Pró-Rim também preparou o jingle e o clipe “Um Sim pela Vida”.
A produção reúne pacientes, colaboradores e profissionais das unidades da instituição em Santa Catarina e no Tocantins. Por meio da música e de histórias, a campanha reforça a importância de falar sobre a doação de órgãos dentro de casa.
A intenção é levar uma mensagem simples ao público: conversar pode ser o primeiro passo para que uma vontade seja respeitada.
O clipe “Um Sim pela Vida” será divulgado nos canais oficiais da Fundação Pró-Rim durante o Setembro Verde.
A campanha reforça que o gesto de doar pode começar muito antes de uma possível doação. Ele começa quando uma pessoa decide falar sobre o assunto e compartilhar com a família uma vontade que poderá, no futuro, ajudar outras pessoas.
Por isso, durante o Setembro Verde, a orientação é abrir espaço para essa conversa. Falar sobre doação de órgãos, esclarecer dúvidas e deixar a família ciente da decisão são atitudes que podem contribuir para que mais pessoas tenham acesso a uma oportunidade de transplante.