
As eleições gerais de 2026 contam com 406 candidatos que declararam orientação sexual ou identidade dentro do grupo LGBTQIA+. O número corresponde a cerca de 2% das 20.575 candidaturas registradas para o pleito deste ano.
A informação faz parte dos dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e marca uma novidade nas eleições gerais brasileiras: pela primeira vez, a Justiça Eleitoral incluiu a orientação sexual entre as informações coletadas no registro das candidaturas.
Dos 20.575 candidatos registrados, 11.334 informaram a orientação sexual, enquanto 9.241, o equivalente a 45% do total, optaram por não declarar. Entre aqueles que forneceram a informação, 10.928 se identificaram como heterossexuais.
O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro. Caso haja segundo turno, a votação será realizada em 25 de outubro.
Um levantamento publicado pela USP e pela Unesco, com base em informações do IBGE e divulgado em 2023, estima que aproximadamente 12% da população brasileira se identifica como LGBTQIA+.
Embora o percentual de candidaturas seja inferior à estimativa da população, representantes do movimento LGBTQIA+ consideram a possibilidade de identificar oficialmente esses candidatos um avanço. Para Gui Mohallem, presidente da organização Vote LGBT, a mudança permite acompanhar de forma mais precisa a presença de pessoas LGBTQIA+ na política brasileira.
A sigla LGBTQIA+ reúne diferentes orientações sexuais e identidades de gênero, incluindo lésbicas, gays, bissexuais, pessoas trans, queer, intersexo e assexuais, entre outras.
Maioria das candidaturas está entre deputados
A análise dos dados do TSE mostra que a maior parte das candidaturas de pessoas que se declararam gays ou bissexuais está concentrada nas disputas para deputado estadual e deputado federal.
Entre os 150 candidatos que se declararam bissexuais, 73 disputam vagas de deputado estadual, representando 48,67% desse grupo. Outros 59 são candidatos a deputado federal, o equivalente a 39,33%.
Também aparecem nessa categoria seis candidatos a deputado distrital, cinco a vice-governador, quatro a governador, dois a primeiro suplente de senador e um a vice-presidente.
Entre os 134 candidatos que se declararam gays, 77 concorrem ao cargo de deputado estadual, enquanto 47 disputam uma vaga de deputado federal. Somadas, essas duas disputas representam 92,53% das candidaturas de homens gays identificadas no levantamento.
Há ainda sete candidatos gays a deputado distrital, um a senador, um a primeiro suplente e um a segundo suplente.
Já entre os 10 candidatos que se declararam assexuais, cinco concorrem a deputado estadual e outros cinco a deputado federal.
PT e PSOL aparecem entre os partidos com mais candidaturas
O levantamento também mostra que as candidaturas LGBTQIA+ estão mais concentradas em partidos de esquerda, especialmente PT e PSOL.
Entre candidatos que se declararam gays ou lésbicas, o PT reúne 40 candidaturas, sendo 21 de gays e 19 de lésbicas. O PSOL aparece em seguida, com 39 candidaturas, sendo 32 gays e sete lésbicas.
Na sequência estão PDT, com 23 candidaturas, e PSB, com 21.
Considerando apenas os candidatos gays, o PSOL reúne 32 dos 134 registros dessa categoria, enquanto o PT concentra a maior quantidade entre as candidatas lésbicas, com 19 das 86 declaradas.
Entre os bissexuais, o PSOL também aparece com o maior número: 51 das 150 candidaturas, ou 34%. O PT tem 27, seguido por UP, com 20, e PDT, com 13.
Partidos de centro e de direita também possuem candidatos que se declararam LGBTQIA+, embora em números menores. O MDB registra 15 candidaturas entre bissexuais, gays e lésbicas. Avante tem 11, PSD soma oito, enquanto Novo e Republicanos têm seis cada. O PL registra cinco candidaturas, sendo quatro de gays e uma de lésbica.
Registros ainda passam por análise da Justiça Eleitoral
O fato de uma candidatura estar registrada no sistema do TSE não significa que o candidato já esteja definitivamente apto a disputar a eleição.
Os pedidos ainda são analisados pela Justiça Eleitoral, que verifica o cumprimento das exigências legais. Os registros também podem ser contestados e resultar em recursos.
Conforme o calendário eleitoral, a previsão é de que os registros sejam julgados até 14 de setembro, 20 dias antes do primeiro turno. Mesmo após essa data, porém, processos relacionados às candidaturas podem continuar tramitando.
Os dados utilizados no levantamento foram extraídos do sistema do Tribunal Superior Eleitoral na manhã de 18 de agosto de 2026.
Número de candidatos LGBTQIA+ eleitos já havia crescido em 2024
Dados da organização Vote LGBT apontam que 233 candidatos LGBTQIA+ foram eleitos nas eleições municipais de 2024. O resultado representou crescimento de 100% em comparação com os números registrados nos pleitos de 2020 e 2022.
O levantamento sobre as candidaturas de 2026 faz parte do conjunto de estatísticas consolidadas pelo TSE para traçar o perfil dos concorrentes deste ano.
De acordo com os dados eleitorais, o perfil predominante entre os candidatos é de homens, brancos, casados e com ensino superior.
Na divisão por gênero, os homens representam 65% das candidaturas, enquanto as mulheres correspondem a 35% do total registrado para as eleições gerais de 2026.