
O Tocantins ocupa o primeiro lugar no ranking nacional de área queimada em 2026. O estado aparece como o território que mais registrou áreas atingidas pelo fogo neste ano, mesmo diante da redução da área queimada no Brasil em comparação com a média histórica. Os dados foram divulgados em levantamento publicado pela Folha de S.Paulo.
A posição do Tocantins chama atenção por superar estados que historicamente enfrentam grandes ocorrências de incêndios, como Mato Grosso, Maranhão e Mato Grosso do Sul. Em todo o país, aproximadamente 2 milhões de hectares já foram consumidos pelo fogo ao longo de 2026, segundo o levantamento.
O cenário preocupa não apenas pelos impactos ambientais, mas também pelas consequências econômicas e sociais. No Tocantins, as chamas avançam sobre áreas de vegetação nativa, propriedades rurais, margens de rodovias, regiões próximas a comunidades tradicionais e áreas destinadas à produção agropecuária. A fumaça também compromete a qualidade do ar e pode aumentar os problemas respiratórios, enquanto as equipes responsáveis pelo combate aos incêndios são cada vez mais exigidas.
A preocupação aumenta porque o Tocantins está entrando justamente nos meses mais críticos da estiagem. Agosto, setembro e outubro costumam apresentar condições mais favoráveis à ocorrência e à propagação de queimadas. A baixa umidade do ar, o tempo seco, as altas temperaturas e a presença de ventos fortes contribuem para deixar a vegetação mais suscetível ao fogo.
A previsão de temperaturas elevadas para os próximos dias reforça o alerta. Conforme informações divulgadas pelo UOL, algumas regiões do Tocantins podem alcançar entre 40°C e 42°C durante o terceiro veranico do inverno de 2026, previsto para permanecer até 19 de agosto. A Folha também indica que municípios tocantinenses, entre eles Palmas, podem registrar temperaturas dentro dessa faixa.
Com a combinação de calor intenso, baixa umidade e vegetação seca, aumenta também a velocidade com que as chamas podem se espalhar. Em propriedades rurais, uma queimada realizada de maneira irregular pode fugir do controle e atingir áreas vizinhas. Nos centros urbanos, a presença de fumaça piora a qualidade do ar e representa um risco maior para crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios.
O primeiro lugar do Tocantins no levantamento nacional também aumenta a responsabilidade dos órgãos públicos envolvidos na prevenção e no combate aos incêndios. Além da atuação durante as ocorrências, o enfrentamento passa por ações preventivas, fiscalização, investigação, responsabilização de quem provoca incêndios de forma ilegal e campanhas de conscientização.
Um caso registrado em junho reforça essa preocupação. A Polícia Rodoviária Federal prendeu um homem suspeito de realizar uma queimada ilegal às margens da BR-153, no Tocantins. De acordo com a PRF, foram identificados focos de incêndio na vegetação próxima à faixa de domínio da rodovia, com uma área atingida pelo fogo de aproximadamente seis quilômetros de extensão. Situações como essa podem colocar em risco a segurança de motoristas, propriedades e moradores das regiões próximas.
O cenário ainda está inserido em um contexto de mudanças e alertas climáticos. Segundo o UOL, a NOAA, agência oceânica e atmosférica dos Estados Unidos, aumentou a previsão de ocorrência de um El Niño considerado muito forte no fim de 2026. O fenômeno pode provocar alterações nos padrões de temperatura e precipitação e aumentar a preocupação com eventos extremos em diferentes partes do mundo.
No Tocantins, o alerta é ainda mais significativo porque o estado já aparece na liderança nacional em área queimada enquanto o período de estiagem continua. Os próximos meses serão decisivos para conter o avanço dos incêndios e reduzir os impactos provocados pelo fogo.
A utilização do fogo sem autorização é proibida e pode gerar consequências nas esferas administrativa, civil e criminal. Em situações de incêndio, a recomendação é acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193.